Dos bons livros (e escritores) Mas só há um mundo. A felicidade e o absurdo são dois filhos da mesma terra. São inseparáveis. O erro seria dizer que a felicidade nasce forçosamente da descoberta absurda. Acontece também que o sentimento do absurdo nasça da felicidade. “Acho que tudo está bem”, diz Édipo e essa frase é sagrada. Ressoa no universo altivo e limitado do homem. Ensina que nem tudo está perdido, que nem tudo foi esgotado. Expulsa deste mundo um deus que nele entrara com a insatisfação e o gosto das dores Inúteis. Faz do destino uma questão do homem, que deve ser tratado entre homens. Toda a alegria silenciosa de Sísifo aqui reside. O seu destino pertence-lhe. Não existe pátria para quem desespera e, quanto a mim, sei que o mar me precede e me segue, e minha loucura está sempre pronta. Aqueles que se amam e são separados podem viver sua dor, mas isso não é desespero: eles sabem que o amor existe. Eis porque sofro, de olhos secos, este exílio. Espero ainda. Um dia chega, enfim...
FONTE: Julio Daio Borges
SITE EXTRAÍDO: DIGESTIVO CULTURAL
"Todos os bons livros assemelham-se no facto de serem mais verdadeiros do que se tivessem acontecido realmente, e que, terminada a leitura de um deles, sentimos que tudo aquilo nos aconteceu mesmo, que agora nos pertencem o bem e o mal, o êxtase, o remorso e a mágoa, as pessoas e os lugares e o tempo que fez. Se conseguires dar essa sensação às pessoas, então és um bom escritor."
Hemingway, em português de Portugal, no Transcendentalismo, que linca pra nós.
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POEMETO V
Ando pelas ruas dessa cidade e vejo a mediocridade transformar-se
Em valor ao som dos covardes; ando pelas ruas sobre lajotas
Vermelhas onde os sonhos da juventude se perderam & os jovens
Velhos tornaram-se; vejo escassas convulsões de mudança sendo
Absorvidas pelo futuro tímido que se esconde.
Ando e vejo que a inútil riqueza de alguns é desejada por outros,
Homens & mulheres,
Pobres miseráveis que nada possuem
De elevado em seu corpo nu;
Vejo os desejos irrealizados, caídos e desamparados nas ruas de desolação.
Sento sob eles & repulso a degradação daqueles que existem aqui
Perdidos e desentendo as suas mais baixas inquietações
Pelo sangue que em mim flui.
Vejo as casas consumidas pelas chamas da inveja,
As calçadas cheias de empreendimentos vazios
E funcionários à espera de amanhã –
Vejo maridos, padres e professores
Rogando a desesperança pela preservação das vidas que o mais medroso
Fragor já fenece sepultado.
Caminho entre homens que não mais choram pela perda da
Esperança & crianças que não entendem o resto de vida que possuem –
Noto meus dedos amarelos e o vapor que sobe voraz do meu cigarro,
Levando consigo o futuro na névoa viva que de mim se espraia.
Ando em silencioso desespero entre a multidão,
Mas não noto sussurros de rebelião.
A FILOSOFIA DE ALBERT CAMUS - RESUMIDO, ACESSE E REFLITA SOBRE ESTE TEXTÍCULO.
(O Mito de Síifo).
(Do mar bem perto )
FILOSOFIA DO NADA
Um pouco de mim...
Um poema chamado
Narciso
Quem quis contar a tua história foi invejoso
Teve que arranjar um meio claro de te castigar
Pela única coisa que talvez faça todo o sentido:
Gostar-se acima de tudo primeiro de nós mesmos.
Mas afinal a que mal te conseguiram embaraçar?
O de te amares sem reservas, sem um grau intermédio:
O nome de uma mulher qualquer que hoje não seria mais
Que a referência morta que arranjaste para o teu sentimento
Um exagero que enfim provava ao mundo tua grande habilidade
(Amar a outro é dedicar-lhe uma bela ideia
Cheia das grandezas que lhe faltam para ser
Essa amável coisa que aí chega à perfeição
Como o reflexo do que nos parece bem)
Pois eu prefiro acreditar que tu só morreste
No momento certo, quando na superfície da água
Descobriste um reflexo reservado ao olhar dos deuses
E no final isso é que foi demais para um reles mortal.
FINAL...
DA TEORIA PARA A PRÁXIS, DIGERIMOS LOGO.
Da Teoria para a Práxis
Julio Daio Borges
O jornalista de centro-esquerda mais querido da blogosfera verde-e-amarela reverberou um lugar comum bastante interessante na sua caixa de comentários: qualquer pessoa é inocente até se prove o contrário. Dizia que em um Estado de leis isso vale para Janaína Leite, para Luís Nassif e para Diogo Mainardi. Querem saber? Dou toda a razão para ele, enquanto falamos em um contexto judicial e "legalista".
O problema é que ao dizer que "são todos inocentes até se prove o contrário", isto implica que acaso alguém tenha cometido um crime, mas não se tenha provas contra essa pessoa, ela é inocente. Collor — condenado politicamente, mas absolvido no STF — é, do ponto de vista da justiça, inocente. E isso é bastante interessante. Ao menos tanto quanto o advogado de Collor à época assumir com toda tranqüilidade, em programa do Roda Viva de 2005, que o ex-presidente deveria ser inocentado, por falta de provas, ao passo que era de fato corrupto. É claro que Roberto Jefferson apenas se viu obrigado a dizer que Collor era culpado (mesmo que tivesse sido inocentado) porque Paulo Markun inquiriu-o fortemente tão logo Jefferson tenha dito que não havia provas suficientes — como talvez não tenha havido para o chamado Mensalão, ou para provar que o assassinato de Celso Daniel foi um crime político.
Não. Do ponto de vista da Justiça não se pode dizer que alguém seja inocente [até] não se prove o contrário. Isso equivale, como eu já disse na caixa de comentários de Doria, a um "it's not wrong when you're not caught" (não é errado quando não se é pego). A justiça humana no Estado democrático de Direito tem de operar com essa presunção de inocência, porque afinal não há homens oniscientes — à exceção dos que trabalham para a Polícia Federal. Mas não é porque o aparelho jurídico do Estado se veja obrigado a funcionar assim que então podemos sair dizendo que todos são inocentes.
Mais uma reflexão na miscelânia de matérias, nova modalidade de fazer o leitor ficar doido literalmente.








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